Estou por aqui, bem longe, com os olhos postos no céu à espera que te lembres de me vir buscar. As lágrimas de vez em quanto retornam não só ao meu olhar, mas sobretudo ao meu coração, com elas retornam também os medos, as angústias, os tremores miudinhos nos braços e nas mãos. Sento-me à frente do espelho, talvez como terapia, nem sei, e repito para mim mesma, em voz alta, frases de consolo e de alívio, minto-me a mim mesma, digo que vais voltar, que vai ficar tudo bem, que vou deixar de ter este vazio que me rasga o coração ao meio e o desfaz em mil. Minto-me porque se não o fizer, não tenho força de acreditar. Eras tudo, eu fui tudo, eu e o pai fomos tanto, tanto, tanto… lembro-me daquele desenho do coração, os pedaços maiores eram os que continham os nossos nomes. Quando é que te esqueceste que te amamos mais do que tudo, mãe? Quando é que pensaste que já não precisaríamos de ti? Estou assim, perdida do mundo, sentada na janela à espera que voltes, que me abraces, que me dês colo, que me digas que estás aqui. Na verdade, estás aqui, mas estás tão distante como tudo. Dizes que não tens tempo, que estás ocupada, mas arranjamos sempre tempo para aquilo que amamos. Se tu não tens tempo para nós, é porque não nos amas. Estou cansada das frases feitas, das hipotéticas chegadas, dos vazios. Estou cansada que me digam que isto passa quando tu estás aqui e não queres estar. Não sei o que fazer com o pai, estas a tirar-nos a nossa vida, não nos mates.

3 comentários:
fico com o coração apertado ao saber-te tão triste, tão desapontada. como te prometi, estarei sempre por perto.
obrigado *
Bem pedi que ficasse, mas preferiu desistir.. :x
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